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O turismo vive de sonhos. A realidade é outra

Quem trabalha no segmento do turismo, há décadas, acaba percebendo problemas que, na maioria das vezes, são jogados para baixo do tapete. Um deles é a falta de conhecimento da demanda do setor porque, como tantas outras no país, as pesquisas não são confiáveis.
 
Há anos, fala-se que o Brasil recebe entre 6 e 6,5 milhões de turistas  estrangeiros por ano. É um dos menores índices entre os países da América, principalmente por falta de investimentos. E, quando o faz erra na medida. Exemplo atual é o investimento de 25 milhões de Reais na propaganda do Rio de Janeiro. Não há dúvidas de que o Rio é a principal porta de entrada do turismo. Mas, não no momento, pela incrível violência que lá acontece. É muito cinismo ignorar o sofrimento do carioca com a atual situação.
 
Para melhor dimensionar, o país, anualmente, recebe menos turistas externos que a Torre Eiffel de Paris. Qual a solução? Certamente, melhorar a infra estrutura e oferecer melhor qualidade no atendimento a jovens, idosos e deficientes físicos. Isso envolve o transporte público, segurança, acessibilidade, hospitais, aumento do pessoal especializado no atendimento a turistas etc.
 
Até na questão de Plano Diretor de Turismo, uma exigência do Governo para que uma cidade se torne estância turística, não há estudos aprofundados e, assim, fica mais fácil um município copiar de outro esse documento burocrático e adaptá-lo à sua realidade. Tudo no jeitinho brasileiro de resolver as coisas.
 
Itu, por exemplo, uma das cidades com maior patrimônio histórico e cultural do interior paulista e muito próxima a São Paulo, atrai muito menos turistas do que poderia. Apesar dos esforços do governo municipal em incentivar e criar condições para acelerar o turismo na cidade parece que a população não lê o que se divulga. Ou não se interessa pelo dinheiro que o turista trás.
 
Fizemos uma pesquisa recente, visitando cinco grandes hotéis de Itu e entrevistando seus respectivos gerentes. O resultado é que parece que os profissionais da hotelaria não percebem que seus estabelecimentos fazem parte do chamado “trade turístico” local e por isso deveriam ser mais bem informados. Timidamente, confessaram que não tem tempo para ler os jornais.
 
Numa das perguntas, sobre o projeto do Trem Republicano, que ligará Itu a Salto com um passeio turístico de oito quilômetros empurrado por uma locomotiva do tipo “Maria fumaça”, todos os gerentes afirmaram que nunca haviam ouvido nada sobre o assunto. Nem lido, porque a imprensa ituana já se cansou de divulgar o tema de grande importância econômica para os dois municípios irmãos. Nem o pessoal do Curso de Turismo do Ceunsp sabia nada sobre o tema. Por falta de alunos, para 2018, o curso será desativado. Vale lembrar que o projeto esta caminhando e que já rola há mais de dez anos.
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Além disso, a reportagem percorreu inúmeros estabelecimentos comerciais, lojas e restaurantes do centro e foi registrado que seus funcionários, caixas balconistas e gerentes, também, nunca tinham ouvido falar do referido trem.
 
Estatísticas
 
Outro exemplo da falta de estatística acontece na Rodoviária de Itu que não fornece dados estatísticos sobre o movimento de passageiros que entram e saem da cidade. Nos períodos de grandes feriados essa informação é importantíssima porque não se pode esquecer que também há turismo de ônibus. Carnaval, Semana Santa, Semana da Pátria, Natal, Reveillon, são períodos que servem de bons exemplos para estatísticas sobre o fluxo de turistas e seriam ótimos termômetros para melhor orientar o trabalho da Secretaria de Turismo.
 
As informações sobre visitantes em locais como museus, igrejas, fazendas, parques, lojas das coisas grandes, monumentos, eventos, por exemplo, poderiam fazer parte de um cadastro municipal que registraria os pontos de maior interesse e que talvez pudessem receber melhorias como banheiros públicos ou maior atenção na distribuição de folhetos promocionais da cidade.
 
O grande potencial para se empreender no turismo em Itu é mais que realidade. Além disso, precisamos de campanhas para que o ituano conheça Itu e sua história. As escolas têm feito a sua parte e muitas delas levam seus alunos para conhecer locais históricos da cidade. Esse é um ponto de partida importante para alimentar, com conhecimento, as gerações futuras.