11 99231-6498
Language:
Apresentação
11 99231-6498
SIGA-NOS

Notícias

Todos nós fomos queimados na fogueira do Museu Nacional

Museus contam a história de um povo. É um atrativo turístico e cultural que permite à comunidade científica aumentar seu conhecimento através de pesquisas e estudos de documentos históricos. Permite que as pessoas comuns tenham contato com a história do seu país. Cuidar de acervos da grandeza do Museu Nacional sempre seria um desafio e muita gestão. Mas o descaso falou mais alto. Agora, não há responsáveis e nem culpados.

No meio de um monte de entrevistas, numa delas com o Ministro da Cultura, o jornalista Sérgio Sá Leitão, o repórter Caio Junqueira, da Crusoé, perguntou na lata se ele pretendia se demitir do cargo por causa do incêndio. A pergunta era pertinente: afinal, há anos o Museu Nacional vive uma crise financeira, recebendo do governo federal recursos insuficientes para sua manutenção (os relatos de fios desencapados, por exemplo, eram comuns).

O Ministro se surpreendeu e reagiu: “quem disse isso”? “Nunca pensei nisso”. Outra autoridade, Ministro Chefe da Secretaria de Governo, de dentro do Palácio do Planalto, comentou as cenas de pessoas chorando na frente do Museu. Carlos Marun ironizou alguns comentários a respeito da tragédia no Museu Nacional, no Rio de Janeiro: "Agora que aconteceu, tem muita viúva chorando, gente que nem conhecia o Museu", disse. 

Não há palavras para descrever o desastre. Todos viram nas TVs. Chocados com a fala do comandante dos bombeiros sobre a falta de água nos hidrantes, falta de estrutura para um combate rápido e eficaz de grandes incêndios e todas as deficiências que serão jogadas embaixo do tapete. Esse é um retrato da situação da cidade maravilhosa tomada pela guerrilha urbana com mais de 20 tiroteios por dia entre bandos rivais.

Certamente o culpado pelo incêndio será o porteiro do prédio histórico. A verdade é que no vocabulário da língua portuguesa falta a palavra PREVENÇÃO. Assim como aconteceu em Santa Maria onde os jovens não conseguiram sair da discoteca. Não havia portas de saída de emergência. Ninguém foi culpado.

Consequências do aparelhamento do Estado

A tragédia cultural voltou a chamar a atenção para o aparelhamento político-ideológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, responsável pela manutenção do Museu, cuja reitoria é composta pelo seguinte quadro:
Reitor: Roberto Leher – filiado ao PSOL;
Vice-reitora: Denise Fernandes Lopez – filiada ao PSOL;
Pró-reitor de graduação: Eduardo Gonçalves – filiado ao PCB;
Pró-Reitor de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças: Roberto Antonio Gambine Moreira – filiado ao PCdoB;
Pró-Reitora de Extensão: Maria Mello de Malta – filiada ao PSOL;
Pró-Reitor de Pessoal: Agnaldo Fernandes – filiado ao PSOL.

Para uma pequena comparação, a instituição estava recebendo a ninharia de 300 mil reais anuais para manutenção. Deveriam ser 515 mil. A Sala São Paulo, na capital paulista recebe 4,5 milhões de reais por ano para sua manutenção.

Em 6 de junho último, no evento em comemoração aos 200 anos da instituição, todos os Ministros foram convidados. Nenhum compareceu. Agora, muitos dão entrevistas falando da importância do Museu e da tragédia das perdas. Na verdade não há respeito e muito menos atitude de prevenção em relação à preservação da nossa história. As autoridades não se preocupam com isso.


 
www.grandeitu.com.br
Raul Machado Carvalho – Editor
grandeitu@grandeitu.com.br