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Publicações 2019

9 de julho, dia de orgulho do povo paulista - Itu na Revolução de 1932

Museu do Quartel - peça de artilharia, relíquia de 1932
Quem se lembra?

Povo de pouca memória, muita gente não sabe o significado do próximo feriado estadual de 9 de julho. O assunto é pouco lembrado pela mídia e nas escolas não há nenhum trabalho sobre a efeméride que marcou um dos momentos mais importantes da história paulista no século passado. Oitenta e sete anos já se passaram. Todavia, precisamos como herdeiros da história, não nos esquecer dos oitocentos soldados e voluntários ituanos que deram suas vidas pela causa do respeito à Lei maior do Brasil, a Constituição.

De nove de julho a primeiro de outubro de 1932, o Estado de São Paulo pegou em armas para dar um basta ao governo com claras tendências ditatoriais, sob o comando de Getúlio Vargas. Na verdade, o movimento revolucionário começou no mês de maio de 1932, quando, na Praça da República, em São Paulo, durante uma passeata de protestos contra o governo, foram mortos quatro jovens – Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Foi o estopim da crise. Hoje eles são homenageados, eternamente, com o nome de MMDC que dá nome à principal Avenida de São Paulo – a 23 de Maio.

Quando chegaram a Itu as primeiras notícias sobre a possibilidade de São Paulo pegar em armas contra o chamado “governo provisório” de Getúlio Vargas, a cidade foi uma das primeiras a aderir ao movimento pela Constituição e respeito à autonomia do Estado.

O então 4º Regimento de Artilharia Montada, 4º RAM, atual glorioso Regimento Deodoro colocou-se em prontidão. Foi aberto o voluntariado e criou-se o 3º Batalhão de Caçadores Voluntários. O sobrado da Rua Paula Souza, onde funcionava o Grupo Escolar Cesário Motta, foi requisitado e transformado no quartel-general dos alistados de Itu.
Ituanos na revolução

Todas as autoridades de Itu, na época, prestaram algum serviço em favor da causa de São Paulo. Seus nomes imortais: Joaquim Galvão de França Pacheco (Prefeito), Oscar Marcondes Romeiro (Juiz de Direito), Manuel Bueno (Promotor de Justiça), Vital Fogaça de Almeida (Delegado de Polícia), Padre José Maria Monteiro (Vigário da Candelária e capelão do BCV), Graciano Geribello (médico) Brás Bicudo de Almeida e Felipe Nagib Chebel (futuros Prefeitos), Francisco Nardy Filho (historiador e pesquisador), Joaquim de Toledo Camargo (Presidente da Câmara), Epaminondas Teixeira Guimarães (coronel da reserva), Antônio Nardy Neto (organizador do BCV), o carioca Tenente Sylvio Fleming (morto no fronte), Antonio Ignácio dos Santos (Tunha),  José Pereira Mendes (Zito Pereira) e Deodoro de Moraes Lima (médico).

A participação feminina também foi ativa: Lilia Geribello, Didi Galvão, Artemira de Toledo Prado, Francisca das Chagas Messias (Nhá Chica),  Laurinda de Francisco, Maria José de Arruda de Francisco e Ruth de Arruda, são alguns exemplos.

Derrota que se tornou Vitória

A revolução durou três meses. Sem apoio de outros estados, São Paulo foi derrotado. Para os perdedores foi uma vitória, porque, no ano seguinte, aconteceu a Assembléia Constituinte, que planejou novas leis para o País, inclusive dando cidadania eleitoral às mulheres e transformando o sufrágio em voto secreto.

Assim, durante três meses, Itu disse “Presente” em todos os acontecimentos relacionados à Revolução de 1932. Pena que essa história, aos poucos, é esquecida pela população, pelas autoridades e pelos meios de comunicação da Estância Turística de Itu. Provavelmente, não haverá nenhuma manifestação histórica/cultural na cidade.

Na atualidade, pouco se faz pela grandiosa história de Itu

Foi o que aconteceu no recente dia 18 de Abril, quando não houve uma palavra sobre essa importante data. Por coincidência do destino três das mais importantes instituições da Estância Turística de Itu – a Câmara Municipal, fundada em 18 de abril de 1657, com 362 anos; o evento da Convenção de Itu que aconteceu em de 18 de Abril de 1873, com 146 anos e a instalação do Museu Republicano em 18 de abril de 1923, com 96 anos, comemoram aniversário no mesmo dia.

O dia 18 de abril caiu numa quinta-feira da Semana Santa. Na oportunidade, o Grande Itu fez contato com a Câmara. Lá só havia a telefonista que explicou que a Câmara estava em recesso. Com o Museu Republicano, a mesma coisa: não havia nenhuma programação para comemorar a data. Nos meios de comunicação da cidade, nenhuma alusão à data.

Os ituanos têm o sagrado direito à sua memória, a dialogar com seus antepassados, indagar de suas estátuas e de seus monumentos, sobre os mistérios dos acontecimentos remotos de sua história.
 
Autoridades, pensem nisto: Cidade que não cultiva sua memória não consegue eternizar seus feitos e sua história tende a desaparecer. As novas gerações precisam aprender, cultuar e respeitar a história de uma cidade de imenso patrimônio histórico/cultural, onde o Brasil colonial está vivo e conservado, com convivência harmônica com o moderno.



 
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Raul Machado Carvalho – Editor
grandeitu@grandeitu.com.br