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Aldeia Maniçoba - um pouco da história das origens de Itu

A primeira referência histórica sobre a Maniçoba é de 18 de julho de 1554, há 467 anos
 
Um importante registro histórico da Estância Turística de Itu revela que nos Campos do Pirapitingui existiu uma aldeia jesuíta com o nome indígena de Maniçoba. Isto em 1553, um pouco antes da fundação do Colégio de Piratininga, núcleo inicial da cidade de São Paulo. A curiosidade dos primeiros colonizadores em relação ao interior ajudou na aventura de padres da companhia de Jesus da fundação Santo Ignácio de Loyola a penetrar o sertão.

Maniçoba também chamada Japiuba, durou pouco tempo, apenas dois anos. Nas redondezas viviam índios Tupis, Guaranis e Carijós. A maioria desses índios vivia às margens do Anhembi (rio Tietê), desde um porto chamado Pirapitingui até uma queda d’água (Salto), uns três quilômetros mais abaixo. Outros habitavam algumas clareiras na serra do Japi.

Dois nomes de jesuítas são importantes nessas remotas origens ituanas: os irmãos Pero Correa e Gregório Serrão. Assim que chegaram, reuniram os índios em Maniçoba (agosto de 1553) e trataram de organizar uma escola. Dessa forma, Itu, notável centro de cultura e religião pelos séculos afora, não podia deixar de começar por uma escola e, mais tarde, na fundação oficial de 1610, por uma Capela e a Cruz do Senhor.

O Padre Manoel de Nóbrega, então provincial dos Jesuítas no Brasil, não ficou alheio a Maniçoba. Já havia – quando percorreu o planalto – escolhido uma colina (fim de agosto de 1553) para a fundação do colégio de Piratininga (São Paulo), inaugurado em 25 de janeiro de 1554. Ele já tinha traçado um arrojado plano de evangelização e expansão territorial. Desejava avançar pelo interior – guiado pelas águas do Anhembi – até, se possível, alcançar o domínio espanhol do Paraguai.

Segundo o historiador ituano Prof. Roberto Machado Carvalho, pelas dificuldades de se chegar mais longe, pois a região era desconhecida, Itu já era considerada a “boca do sertão”. A estratégia do Padre Manoel da Nóbrega foi atrair os índios Carijós à aldeia com o objetivo de catequizá-los.

A primeira referência à aldeia de Maniçoba esta numa carta do Irmão Pero Correia, datada de 18 de julho de 1554, há 467 anos, escrita em São Vicente. Outro texto, do livro “O Embu na História de São Paulo”, registra que essa aldeia teria sido fundada pelo Padre Manoel da Nóbrega e era o primeiro posto Jesuítico nos sertões de Piratininga.

Onde ficava Maniçoba

Não se sabe ao certo onde ficava a aldeia. Talvez seja a mesma de que fala Simão de Vasconcelos, situada a 40 léguas de Piratininga (São Paulo) em direção ao sertão, não longe da Serra do Japi. Segundo ele, a aldeia ainda recebia outro nome, o de Japiuba, que quer dizer árvore dos Japis ou Japus, certo pássaro que deveria ser frequente na região.

Padre Anchieta mencionou duas vezes a distância entre Piratininga e Maniçoba – 90 milhas (milhas romanas), o que resultaria em pouco mais de 130 quilômetros.

Hipóteses conflitantes

Francisco Nardy Filho, grande historiador de Itu, aceitou a tradição da existência de um aldeamento indígena no lugar onde, hoje, se ergue a cidade, baseado na descoberta de igaçabas (urnas funerárias indígenas) no Largo de São Francisco (hoje Praça Pedro I). As igaçabas foram desenterradas em 1920, durante obras de arruamento da área. E, o Cruzeiro está sendo, atualmente, restaurado dentro do projeto de apoio ao patrimônio histórico e cultural de Itu.

Agenor Bernardini e Carlos Simeira, ambos falecidos, quando membros da Sociedade Amigos da Cidade de Itu (SACI), realizaram expedições em busca de testemunhos da existência da aldeia. Para eles, Maniçoba localizava-se numa área próxima à foz do rio Pirapitingüi. O professor Milton Ottoni, munido de fotos aéreas, textos jesuíticos e historiográficos, de certa forma chegou à mesma conclusão dos historiadores Nardy e Taunay.

14/07/2021


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Raul Machado Carvalho – Editor
grandeitu@grandeitu.com.br