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Publicações 2016

Aldeia Maniçoba - um pouco da história das origens de Itu

A primeira referência sobre a existência da aldeia data de 18 de julho de 1554, mas segundo historiadores, ela já existia desde agosto de 1553, antes da fundação do Colégio de Piratininga, núcleo inicial da cidade de São Paulo. Dia 18 de julho é a data para se comemorar os 462 anos da histórica aldeia jesuítica na região de Itu. A localização não é precisa. Muitos vestígios indicam que a “Maniçoba”, nome indígena da aldeia, foi, com certeza, o primeiro estabelecimento Jesuítico nos sertões de Piratininga.
Segundo o historiador ituano Roberto Machado Carvalho, pelas dificuldades de se chegar mais longe, pois a região era desconhecida, por isso Itu já era considerada a “boca do sertão”, a estratégia do Padre Manoel da Nóbrega foi atrair os índios Carijós à aldeia com o objetivo de catequizá-los.
Maniçoba também chamada Japiuba, durou pouco tempo. Nas redondezas viviam índios Tupis, Guaranis e Carijós. A maioria desses índios percorria as margens do Anhembi (rio Tietê), desde um porto chamado Pirapitingui até uma queda d’agua (Salto), uns três quilômetros mais abaixo. Outros habitavam algumas clareiras na serra do Japi.
Muitos foram trazidos pelas primeiras “entradas” dos brancos, no interior de Mato Grosso e até do Paraguai. Em relação à aldeia de Maniçoba, o papel principal de sua formação e tentativas de catequese, couberam aos valentes “soldados de cristo” da companhia de Jesus, fundação de Santo Ignácio de Loyola.
Dois nomes de jesuítas são importantes nessas remotas origens ituanas: os irmãos Pero Correa e Gregório Serrão. Assim que chegaram, reuniram os índios em Maniçoba (agosto de 1553) e trataram de organizar uma escola. Veja o leitor que Itu, notável centro de cultura e religião pelos séculos afora, não podia deixar de começar por uma escola e, mais tarde, na fundação oficial em 1610, por uma Capela e a Cruz do Senhor.
O padre Manoel da Nóbrega então provincial dos Jesuítas no Brasil, não ficou alheio à Maniçoba. Já havia – quando percorreu o planalto – escolhido uma colina (fim de agosto de 1553) para a fundação do colégio de Piratininga em São Paulo, inaugurado em 25 de janeiro de 1554. Como estadista do tempo havia traçado um arrojado plano de evangelização e expansão territorial. Desejava avançar pelo interior – guiado pelas águas do Anhembi – até, se possível, alcançar o domínio espanhol do Paraguai e dos índios Carijós.
Por uma série de dificuldades, entre elas a oposição do governador geral que considerava temerária a empresa, Nóbrega viu-se obrigado a desistir. Andou, porém, uma boa distância pelo interior. O principal ponto mais distante do planalto, onde ele chegou foi justamente na aldeia Maniçoba (setembro de 1553). Vinha acompanhado de um filho de João Ramalho, o “primeiro português do planalto” e do irmão Antônio Rodrigues.
Certamente, o Provincial ficou entusiasmado com a Maniçoba, mais ainda com a escolinha onde o irmão Gregório Serrão – o mais antigo professor de Itu – dava suas lições aos índios. Era uma “escola de gramática”, escreveu o citado irmão Pero Correia, a segunda criada em São Paulo, entre as fundações do Colégio de São Vicente e de Piratininga. Há quem diga que Nóbrega foi até o Guairá.
Maniçoba durou pouco mais de um ano (1553/55). Gregório Serrão, ordenado presbítero, esteve em vários lugares. Culto, dedicado ao ensino, chegou a ser Reitor do Colégio da Bahia (Salvador), considerado ao nível de uma escola superior, na época. Ele faleceu no Espírito Santo em novembro de 1586.
A aldeia ituana foi sacrificada por vários fatores. O principal era a rivalidade entre os índios guaranis e carijós, permanente ameaça à integridade da aldeia. Também os brancos – maioria de mamelucos – não viam com bons olhos aquela aldeia, pois sabiam que ali era um refúgio de índios e nela estavam os catequistas, defensores dos índios.
E eles procuravam índios para o trabalho escravo. Além das tribos rivais, havia nas proximidades de Maniçoba seguidas “guerras”, entre brancos e índios carijós. Para confirmar a história, muitas peças indígenas (ossos, vasos, urnas) foram encontradas nas escavações de antigos terrenos do Salão Paroquial da igreja matriz e do Largo de São Francisco.
 
Jonas Soares de Souza – Guardião da História de Itu
Historiador ituano - Pós-graduado em História Social e Especialista em Patrimônio Cultural,é pesquisador-docente do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (Museu do Ipiranga e Museu Republicano de Itu), membro do ICOM - International Council of Museums e da AIMH - Association Internationale des Musées d'Histoire.