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Ministério do Turismo será acoplado a Integração Nacional e Cidades

Nesta pequena tribuna defensora da importância do turismo para o país, sempre reclamamos da falta de política para o setor e do fato do segmento ser conduzido, em sua grande maioria, por políticos sem noção sobre a importância do setor com um enorme cabide de empregos na pasta. Afinal, nos últimos dez anos tivemos treze ministros do turismo.

Em nome de se reduzir o custo e despesas do governo alguns ministérios foram reunidos numa única pasta. Trata-se de um esforço positivo para acabar com os cabides de emprego que beneficiam as nomeações políticas tradicionais do sistema “toma-lá-dá-ca”.

O Brasil começa um novo momento de gestão a partir de janeiro de 2019. Para surpresa de todos no meio, o Ministério do Turismo será extinto e acoplado às  áreas de Integração Nacional e Cidades. Faltou, mais uma vez, nos programas de governo dos dois candidatos que foram para o segundo turno propostas objetivas para o setor.
Houve um discurso genérico de que a atividade é importante, gera empregos ou afirmativas sem nenhuma profundidade. Assim, precisamos aproveitar o período de preparação do novo governo para fazer sugestões que possam tornar o setor realmente uma forma de desenvolvimento efetivo do  país.

O primeiro ponto seria a revisão da Lei Geral do Turismo e seu modelo de gestão. Um plano nacional de turismo é fundamental também com metas estabelecidas e um grupo de técnicos buscando assessorar as políticas públicas, voltando ao projeto de municipalização do turismo, que deu muito certo. Parece importante aproveitar o discurso do futuro presidente de que o município é uma célula inicial do desenvolvimento nacional.

Nelas, há esperança de se condições para a integração efetiva da população anfitriã com o setor produtivo e os visitantes. Incentivar que as características locais sejam preservadas sempre e fazer com que o morador local entenda que o turismo pode ser uma ferramenta de mudança. Precisamos de um Conselho Nacional de Turismo, independente, sem que as associações ali presentes sejam contempladas com verbas e que consiga levar adiante de forma objetiva e critica a veracidade da imagem brasileira.

Falta um plano de sinalização turística em todo o país, um programa de promoção baseado em estatísticas e dados colhidos não só no Brasil, como nos mercados emissores e participação efetiva em  eventos internacionais. No fundo, falta dotação orçamentária e liberação de recursos. Vivemos uma época de notas plantadas em colunas sociais e jornais, que sempre vão mencionando projetos que nunca acontecem.

As embaixadas e consulados no exterior são nossos verdadeiros escritórios de promoção e em cada uma delas (nos principais centros emissores de turistas) deve ser designado um diplomata para cuidar da imagem do Brasil, com ações pontuais como workshops, famtours ou ainda presstrips. Os EBTs – Escritórios Brasileiros de Turismo, no exterior, foram fechados por economia nos investimentos.

Uma menção especial para a capacitação e reciclagem de recursos humanos que trabalham na área. Não podemos continuar com um certo amadorismo ainda presente na prestação de serviço e pensar que os mandos gerenciais e diretivos são auto-suficientes. Ledo engano. Falta atualização dos gestores em novas técnicas de administração.

Por outro lado, salários mais atrativos e concursos públicos nos órgãos oficiais. A quantidade de funcionários estranhos ao quadro que ocupam cargos em comissão cresce a cada governo, desmotivando os de carreira. As faculdades de turismo, nomeadamente as particulares, estão desaparecendo e os cursos tecnólogos que deveriam substituí-las ,não estão vingando. Um programa no sentido de capacitar aprendendo na pratica, como faz o Senac é a resposta mais efetiva.

A segurança turística vive uma ilusão de marketing nos estados e municípios, onde foi implantada com raras exceções. Falta qualificação dos integrantes das forças de segurança e sobretudo motivação e investimentos na infra-estrutura. Acreditamos que um plano nacional de segurança turística integrando todas as forças e retomando em cada Estado ou município os Conselhos de Segurança Turística poderiam minimizar uma série de ocorrências e criar um clima de integração.

Importante lembrar que o turismo passa por um processo democrático de integração e facilitação das minorias, como a população lgbt, os índios, os quilombolas para citar apenas alguns exemplos. Países turísticos se utilizam de ações de atendimento especial e acolhimento dos que nos visitam e mostram que aceitam a diversidade, como apregoa o Código de Ética Mundial do Turismo, da OMT-Organização Mundial do Turismo, da qual o Brasil é membro atuante.
 


 
www.grandeitu.com.br
Raul Machado Carvalho – Editor
grandeitu@grandeitu.com.br
 



 
 
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