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Publicações 2020

Prefeitura de Itu inicia pesquisa e restauro do Cruzeiro Franciscano

Cruzeiro Franciscano era a porta de entrada do complexo do convento franciscano fundado em 1692.
O Cruzeiro Franciscano, um dos mais importantes bens culturais da Estância Turística de Itu, localizado no Centro Histórico, na Praça Dom Pedro I, começou a ser restaurado com os esforços da Secretaria de Cultura e Patrimônio Histórico em pesquisar no seu entorno a existência de vestígios de objetos que teriam pertencido a tribos indígenas ou ainda remanescentes da Itu antiga.

Único elemento que restou do conjunto arquitetônico franciscano do final do século XVIII, o Cruzeiro foi construído por Joaquim Pinto de Oliveira, o Mestre Tebas, autor também de diversas obras relevantes da capital paulista como os ornamentos de pedra da fachada das principais igrejas paulistanas da época, como a da Ordem Terceira do Carmo (1775-1776), a do Mosteiro de São Bento (1766 e 1798), a da velha Catedral da Sé (1778), a da Ordem Terceira do Seráfico São Francisco (1783).

A realização do restauro será feita por meio de verba conquistada junto ao FID (Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos) e será realizada por equipes especializas nas diversas fases de sua recuperação, atravez da Zanettini Arqueologia, de São Paulo. Esta foi a primeira vez que o FID destinou recursos para uma obra de restauro.

Por meio de estudos realizados, desde 2018, detectou-se que o Cruzeiro foi erguido em arenito e varvito, fazendo dele um objeto único no mundo devido ao material empregado em sua construção. Destaque especial para o varvito, rocha sedimentar, muito utilizada na fundação de casas e calçadas ituanas devido sua abundância, proximidade e facilidade de extração.

Neste primeiro momento do restauro já estão sendo realizadas pesquisas arqueológicas em seu entorno já que, por meio de escaneamento por radar realizado anteriormente, foram encontrados sinais de objetos logo abaixo do solo, podendo ser partes remanescentes do Cruzeiro, como vestígios de tribos indígenas.

Durante o processo, os acadêmicos e especialistas que estarão trabalhando no restauro, realizarão estudos e rodas de bate papo para turistas e moradores da cidade explicando tudo o que está sendo realizado no local e trazendo a população para perto do patrimônio e o sentimento de pertencimento ao espaço.

Mestre Tebas
 
A autoria da obra do Cruzeiro de São Francisco de Itu é do ex-escravo Joaquim Pinto de Oliveira, o Mestre Canteiro Thebas, de talento ímpar. Tebas era escravo e conquistou sua alforria por volta de 1775. Desde então, teve em mãos a decisão de quais trabalhos queria executar e mostrar todo seu talento e, o mais importante, sendo remunerado como Oficial de Cantaria de Pedra e Pedreiro.

Por muito tempo havia registro da passagem de Tebas apenas pela capital paulista, mas estudiosos acreditavam que, devido ao seu talento e magnitude de suas obras, Tebas teria estado em outras localidades. Foi então que, o historiador do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) Carlos Gutierrez Cerqueira, durante estudo dos Livros de Receita e Despesa do Convento Franciscano de São Luiz, da Vila de Nossa Senhora da Candelária de Itu, encontrou o registro da contratação de Tebas para a construção do Cruzeiro, comprovando sua passagem pela cidade.
 

 
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Raul Machado Carvalho – Editor
grandeitu@grandeitu.com.br